Leishmaniose Canina: Tudo sobre sintomas, novas opções de tratamento e prevenção no Brasil

O que é a Leishmaniose Canina e por que ela preocupa tanto?

A Leishmaniose Canina é uma das doenças mais sérias e complexas que podem atingir nossos melhores amigos. No Brasil, ela é uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos através da picada de um inseto. Mas calma, não precisa entrar em pânico! Antigamente, o diagnóstico era quase uma sentença de morte, mas hoje o cenário mudou drasticamente com novas opções de tratamento e protocolos de prevenção mais eficazes.

A doença é causada por um protozoário do gênero Leishmania e é transmitida pelo famoso “mosquito-palha” ou birigui. Diferente do que muitos pensam, o cachorro não passa a doença diretamente para o dono. O ciclo precisa do mosquito para acontecer. Para entender como o corpo do seu pet reage a invasores como este, vale a pena ler mais sobre o sistema imunológico dos cães.

Como ocorre a transmissão no Brasil?

O ciclo começa quando a fêmea do inseto Lutzomyia longipalpis pica um animal infectado. Ela ingere o parasita e, ao picar um cão saudável (ou um humano), acaba transmitindo a Leishmaniose Canina. O mosquito-palha gosta de lugares úmidos, com sombra e muita matéria orgânica acumulada, como folhas secas, restos de frutas no quintal e fezes de animais.

No Brasil, a leishmaniose visceral é a forma mais comum e preocupante. Ela atinge órgãos internos como fígado, baço e medula óssea. É uma doença sistêmica que exige atenção redobrada dos tutores, especialmente em regiões endêmicas.

Sintomas da Leishmaniose Canina: Fique atento aos sinais

Um dos grandes desafios da Leishmaniose Canina é que ela é uma doença silenciosa. O cão pode estar infectado por meses ou até anos sem apresentar nenhum sinal visível. No entanto, quando os sintomas aparecem, eles costumam seguir um padrão:

  • Problemas de pele: Descamação, feridas que não cicatrizam (especialmente nas pontas das orelhas e focinho) e perda de pelo ao redor dos olhos.
  • Crescimento excessivo das unhas: Conhecido tecnicamente como onicogrifose, as unhas crescem muito rápido e de forma anormal.
  • Emagrecimento progressivo: O cão perde peso mesmo comendo normalmente.
  • Desânimo e prostração: O animal fica triste, sem vontade de brincar ou caminhar.
  • Problemas oculares: Conjuntivite persistente ou olhos avermelhados.

Muitas vezes, o tutor confunde esses sinais com alergias comuns. Saber identificar o desconforto precocemente é vital para o sucesso do tratamento, por isso ensinamos em detalhes como saber se o cachorro está com dor ou mal-estar.

Novas opções de tratamento no Brasil: O fim do tabu da eutanásia

Durante décadas, a única recomendação oficial no Brasil para cães com Leishmaniose Canina era a eutanásia. Felizmente, essa realidade mudou em 2016. Hoje, o tratamento é permitido e existem medicamentos específicos para controlar a carga parasitária.

O Milteforan (Virbac)

Atualmente, o Milteforan (https://www.virbac.com.br) é o único medicamento para o tratamento da leishmaniose visceral canina registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Ele não promove a cura total (cura parasitológica), mas proporciona a cura clínica. Isso significa que o cão para de apresentar sintomas e, o mais importante, deixa de ser um transmissor para o mosquito.

A importância do acompanhamento veterinário

O tratamento é para a vida toda. O pet precisará de exames de sangue regulares e check-ups frequentes. Além do Milteforan, o veterinário pode prescrever o Alopurinol, que ajuda a impedir a multiplicação do parasita. Jamais tente medicar seu cão por conta própria, pois as doses precisam ser ajustadas de acordo com as funções renais e hepáticas do animal.

Alimentação Natural: Um pilar no suporte ao cão infectado

Cães em tratamento de Leishmaniose Canina sofrem uma sobrecarga nos rins e no fígado devido aos medicamentos e à própria doença. Por isso, a dieta se torna uma ferramenta terapêutica poderosa. Muitos veterinários recomendam a transição para alimentos menos processados e com proteínas de alta digestibilidade.

Uma dieta adequada é vital para manter a imunidade alta, especialmente na alimentação natural para cães com problemas de saúde. Alimentos ricos em antioxidantes e ômega-3 ajudam a combater a inflamação sistêmica causada pelo parasita. Consulte sempre um zootecnista ou veterinário nutrólogo para balancear essa dieta.

Como prevenir a Leishmaniose Canina de forma eficaz

A prevenção é o melhor caminho. Como não existe cura definitiva, evitar que o mosquito pique o seu cão é a prioridade absoluta. Veja o passo a passo para proteger seu lar:

  1. Uso de coleiras repelentes: Utilize coleiras à base de deltametrina ou flumetrina, como a Seresto (https://www.elanco.com) ou Scalibor (https://www.msd-animal-health.com.br). Elas devem ser trocadas conforme a indicação do fabricante.
  2. Vacinação: Existe a vacina Leish-Tec, que ajuda a aumentar a resistência do cão. Ela só pode ser aplicada em animais que testaram negativo para a doença.
  3. Limpeza do quintal: O mosquito-palha se reproduz em matéria orgânica. Mantenha o quintal limpo, sem folhas acumuladas e recolha as fezes diariamente.
  4. Telas mosquiteiras: Se você mora em áreas de alto risco, instale telas com malha fina para evitar a entrada do inseto em casa.
  5. Evite passeios ao entardecer: O mosquito é mais ativo durante o pôr do sol e à noite. Evite deixar seu cão exposto nesses horários.

A leishmaniose tem cura?

É fundamental ser honesto sobre este ponto: a Leishmaniose Canina tem cura clínica, mas não cura parasitológica. Isso significa que, mesmo após o tratamento e o desaparecimento de todos os sintomas, o parasita continua presente no corpo do animal em quantidades mínimas. Se o tratamento for interrompido ou se a imunidade do cão cair drasticamente, os sintomas podem voltar.

No entanto, um cão tratado e bem cuidado pode viver uma vida longa, feliz e com qualidade, chegando inclusive à velhice sem novas crises. O segredo é o monitoramento constante e o amor do tutor.

Resumo Prático para o Tutor

Se você suspeita que seu cão possa ter sido exposto à Leishmaniose Canina, siga estes passos imediatamente:

  • Procure um veterinário: Peça um teste sorológico (como o ELISA ou RIFI) e, se necessário, exames mais precisos como o PCR ou citologia de medula.
  • Não desista do seu amigo: Saiba que a eutanásia não é mais a única opção. O tratamento funciona e devolve a saúde ao pet.
  • Proteja os outros animais: Se um cão da casa for positivo, reforce a proteção dos outros com coleiras repelentes imediatamente.
  • Mantenha a higiene ambiental: Limpeza é fundamental para quebrar o ciclo do mosquito.

A Leishmaniose Canina é um desafio, mas com informação correta e os novos medicamentos disponíveis no Brasil, podemos vencer essa batalha e garantir que nossos peludos continuem ao nosso lado por muito tempo. Se você vive em cidades com alta incidência, como as do interior de São Paulo, Minas Gerais ou Mato Grosso do Sul, redobre os cuidados e faça exames preventivos anualmente.

Lembre-se: um tutor bem informado é a melhor defesa que um cachorro pode ter. Cuide do ambiente, invista em boa alimentação e use sempre os repelentes recomendados pelos especialistas.

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